Tantou Blog - Aprendendo Nihongo: Uma noite de cachorro

12 de out de 2009

Uma noite de cachorro

Havia uma agencia que oferecia suporte aos brasileiros que desembarcavam para o Japão, como atendia milhares deles, as vezes acontecia de ter algum caso inesquecível e o Murata (ex-funcionário da agencia) separou uma para a nós.
Murata diz que a rotina de uma agencia que oferece assistência  ao brasileiro que vem pela primeira vez  é buscar-lo no aeroporto, acompanhar até a cidade e deixar acomodado em um apartamento provisório para descansar pois são mais de 24 horas de viagem.
No dia seguinte, uma reunião no escritório explicando sobre leis e costumes do Japão, apresentação das propostas de emprego, e por fim  encaminhar a pessoa para uma entrevista de emprego na empreiteira ou fábrica .
Em paralelo era informado a familia do passageiro no Brasil que tinha chegado bem de viagem e quando conseguia o emprego notificava outra vez.
Por praxe a agencia do Brasil deixava para cada um cartão com o endereço do escritório no Japão.
Na verdade um trabalho de guia, em vez de turismo como muita gente conhece, um trabalho de guia de serviço no Japão. E a responsabilidade era muito grande.
Maioria dos passageiros quando chegavam no apartamento buscavam descansar, mas sempre havia aquele mais animado e do tipo "não estou cansado e nem com sono, estou curioso para conhecer o Japão!" Vamos chamar este de Paulo.
Em vez de ficar no apartamento saiu para um shopping nas vizinhanças para conhecer as novidades.E como era perto nem se preocupou do caminho.
No dia seguinte de manhã o Murata como de costume foi buscar o pessoal no apartamento para a reunião.
E viu que estava faltando alguém, e perguntou : - Cadê o Paulo?! O pessoal respondeu :- Ontem depois do banho saiu e não voltou ainda e as coisas dele estão ai.
Murata imeditamente notificou para o gerente e este por sua vez comunicou para o Brasil do ocorrido.
E o pessoal tanto do Japão como do Brasil começaram ficar preocupado com o rapaz. O gerente recomendou que era melhor ir depois da reunião na Delegacia para dar ocorrência.
O pessoal que tinha vindo com ele ficava imaginando tudo de ruim que poderia ter acontecido com Paulo, desde um caminhão ter passado por cima dele até harakiri (suicídio).
Lá pelo meio dia entra uma ligação de um japonês na agencia dizendo que tinha um rapaz brasileiro com um cartão de visita dali, e estava verificando se alguém conhecia.
O japonês Suguiyama San era  gerente do posto, conta ele que quando chegou para abrir o expediente de manhã viu o Paulo deitado do lado de fora  no canto do lava-car e levou um susto, é claro.
Mas não chamou logo a polícia porque verificou que não tinha nada de grave com o Paulo, achou apenas que estava bêbado de sono.
Só que para se comunicar foi muito difícil e levou todo esse tempo para entender o que havia ocorrido, já que ele como os funcionários obviamente não entendiam nada de português.
A versão do Paulo diz que pegou a rua errada, rodou e não achou mais o apartamento, e ai se perdeu de vez porque nem a luz do shopping enchergava mais, andou ,andou e no começo da madrugada, cansado viu um posto fechado e ficou ali para dormir, diz ele que foi passar uma noite de cachorro.
O Murata diz que sair é fácil, acha que depois do passeio quando ele pensou em retornar não lembrava mais do local do apartamento e para "ajudar" como não entendia nada de japonês, ficou vagando pela noite.
Isso acontece porque as ruas do Japão não são como no Brasil, além de estreitas, não tem calçadas,não tem número e muitas delas parecem retas, mas depois se tornam um zig-zag e cheios de curvas, confundindo a cabeça de muitos brasileiros.
Na situação do Paulo, o rapaz teve sorte de não ser inverno poderia estar congelado, ter o Suguiyama San para ajudar, e o cartão da agencia como contato.

Dica da semana:
No caso de ficar perdido, pergunte onde fica a prefeitura ou a estação de trem mais próxima da cidade.
Não há japonês da sua própria cidade que não saiba.
Ligar que esta perdido já é alguma coisa ,mas a resposta de quem vai te buscar seria :-Onde voce está?
Dizer que esta perto de uma conveniência 24 horas ou num posto não refresca em nada, pois são milhares deles espalhados no Japão.
Além do telefone e endereço levar junto por escrito este modelo de frase.
Por favor,onde fica a prefeitura (estação de trem)?
すみません、市役所( 駅)はどこですか?
すみません、しやくしょは(えき)どこですか
Sumimasen,Shiyakusho(eki) wa doko desu ka?
すみません=sumimasen=por favor
市役所=shiyakusho= prefeitura
駅=eki=estaçãode trem
は= se escreve" ha" mas se lê "wa"
どこ ですか=doko desu ka?=onde fica

Assim mesmo ainda ficaram perdidos?
Um abraço do Jonponês e uma boa semana.

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